Como estruturar pontos de energia em espaços multifuncionais
Estruturar energia num espaço multifuncional é projetar para o layout que ainda vai mudar. Em vez de fixar tomadas em posições definitivas, o projeto distribui infraestrutura remanejável: clusters que trocam de lugar no perfil, coluna móvel para áreas centrais e caixa de piso onde o mobiliário não encosta na parede. Reconfigurar deixa de ser obra.
Uma sala de treinamento com trinta cadeiras em fileira vira, em quarenta minutos de rearranjo, quatro ilhas de trabalho voltadas para direções diferentes. O mobiliário absorve a mudança, as divisórias móveis absorvem, o projetor troca de parede, e a única coisa que continua exatamente onde estava é a tomada.
A diferença entre um layout e o seguinte acaba resolvida com extensão atravessando a circulação, o que faz da posição dos pontos um problema maior do que a quantidade deles.
O que torna um espaço multifuncional difícil de eletrificar
Um espaço convencional tem uso definido, e o projeto elétrico pode se ancorar nele. A estação de trabalho fica ali, a copa fica acolá, e a tomada nasce onde o uso pediu.
O espaço multifuncional retira essa âncora ao mudar de função durante o dia ou durante a semana, e o projeto precisa atender configurações que ainda não tinham sido desenhadas quando o eletroduto foi lançado.
As dificuldades se repetem de projeto para projeto:
- A posição do ponto envelhece antes do prédio, porque uma tomada embutida serve à configuração que existia no dia da obra, e cada layout novo distancia um pouco mais aquele ponto de quem precisa dele.
- O centro do ambiente fica desassistido, já que em sala ampla a área central é justamente onde a alvenaria não chega, e é exatamente ali que as ilhas de trabalho tendem a se formar.
- Energia e dados chegam por caminhos diferentes, e quando os dois percursos não foram pensados juntos a reconfiguração resolve um deles e deixa o outro pendurado no meio do caminho.
Princípio um: prever o layout que ainda não existe
Aceitar que a planta de mobiliário do projeto é uma hipótese de trabalho já é o primeiro movimento. Projetar para ela é projetar para o único arranjo que certamente vai mudar.
O que substitui a hipótese é a capacidade distribuída, de maneira que, em vez de concentrar pontos onde o layout inicial pede, o projeto espalha infraestrutura ao longo do perímetro e do centro, com folga de ocupação, para que qualquer arranjo futuro encontre alimentação por perto.
Nesse desenho o projeto deixa de contar tomadas e passa a medir distâncias. A pergunta que ele responde é a partir de que ponto qualquer posição daquela sala fica a menos de dois metros de energia, o que é uma conta de cobertura e não de quantidade.
Princípio dois: infraestrutura que se move com o ambiente
Escolher sistemas que aceitem ser remanejados sem obra é o segundo movimento. Três recursos resolvem a maior parte dos casos, e eles se combinam.
Clusters remanejáveis no perfil
Perfil aparente ao longo da parede ou do mobiliário permite que os pontos sejam agrupados em clusters e reposicionados dentro do próprio percurso. O cabo já está lá; o que muda é onde ele emerge.
A canaleta articulada FROG Quadra trabalha com sistema de tampas articuladas e módulos de encaixe rápido, em perfil de 70 x 30 mm. Abrir o trecho, mover o cluster e fechar não exige refazer infraestrutura.
Coluna móvel para o centro do espaço
Para a área central, onde nenhuma parede alcança, a coluna resolve descendo do teto até o piso.
Nessa função, a coluna articulada EMA se fixa por sapatas de pressão entre piso e teto, o que permite trocar a posição sem furar a laje. Ela tem estrutura em alumínio extrudado com divisão interna para separar os cabos, e existe em versão EMA TV, com suporte para televisão em trilho ajustável, posicionado inicialmente a dois metros do piso, com passagem para HDMI e rede.
Numa sala que alterna entre treinamento e workshop, é a coluna que atende a ilha central de hoje e a projeção de amanhã.
Caixa de piso para pontos no meio da sala
Quando o ponto precisa nascer no piso e não na vertical, a caixa de piso assume.
Nesse caso, a Caixa de Tomadas Zigus usa tampas tripartidas em alumínio, com dois registros de patente no INPI, e mantém a tampa fechada e nivelada quando o ponto não está em uso. Em sala que muda de arranjo toda semana, e onde as pessoas circulam por cima do ponto, isso deixa de ser detalhe de acabamento.
Ela se aplica a piso embutido, piso elevado e piso semi-embutido, o que permite usar o mesmo acabamento de superfície em obras com sistemas construtivos diferentes.
Energia e dados no mesmo percurso, com segurança
Espaço multifuncional quase sempre precisa dos dois ao mesmo tempo, e levá-los pelo mesmo caminho economiza infraestrutura e organiza a manutenção, desde que se tome um cuidado.
O septo divisor é o que torna essa convivência aceitável, separando fisicamente o compartimento de energia do de dados dentro do mesmo perfil, o que reduz a interferência eletromagnética sobre o cabeamento de comunicação. As linhas da Valemam trabalham com divisão interna justamente por isso, e a eletrocalha modular APIS traz divisória interna para separar elétrica de dados.
A referência normativa para o cabeamento estruturado em edifícios comerciais é a ABNT NBR 14565, e é dela que sai o critério de convivência entre os dois sistemas no mesmo percurso. O dimensionamento elétrico e a taxa de ocupação seguem a ABNT NBR 5410.
Densidade de pontos por tipo de uso
Densidade se decide pelo uso previsto, e espaço multifuncional precisa ser dimensionado pelo uso mais exigente que ele vai receber, não pelo mais frequente.
| Configuração | O que a sala recebe | Onde a energia precisa estar |
| Treinamento em fileira | notebooks em uso contínuo, projetor ao fundo | perímetro com clusters próximos, e um ponto no fundo para a projeção |
| Workshop em ilhas | quatro a seis grupos no centro do ambiente | coluna central, ou caixa de piso sob cada ilha |
| Reunião com cliente | mesa única, projeção e videoconferência | ponto próximo à mesa, com energia e dados juntos |
| Coworking aberto | posições que mudam de ocupante todo dia | maior densidade no perímetro, com folga de ocupação no perfil |
| Auditório | poucos pontos de uso, muita circulação | pontos recuados, com tampa fechada onde há passagem |
| ⚠️ Dimensione com folga de ocupação no conduto. Sala multifuncional recebe demanda que ninguém previu, e perfil no limite de ocupação transforma qualquer ponto novo em obra. A taxa de ocupação é tratada na NBR 5410. |
Perguntas frequentes
Como levar energia ao centro de uma sala sem parede por perto?
Por coluna vertical, que desce do teto ao piso, ou por caixa de piso alimentada por infraestrutura sob o contrapiso ou sob piso elevado. A coluna articulada EMA se fixa por sapatas de pressão entre piso e teto, o que permite reposicioná-la sem furar a laje quando o layout mudar.
Quantas tomadas prever em um espaço multifuncional?
A quantidade sai do uso mais exigente que a sala vai receber, acima do uso médio. Vale mais distribuir capacidade ao longo do perímetro e do centro, com folga de ocupação no conduto, do que concentrar pontos na configuração inicial. O dimensionamento segue a ABNT NBR 5410.
Energia e dados podem correr no mesmo percurso?
Podem, desde que separados por septo divisor dentro do perfil, o que reduz a interferência eletromagnética sobre o cabeamento de comunicação. As linhas da Valemam trazem divisão interna para isso. A referência para cabeamento estruturado em edifício comercial é a ABNT NBR 14565.
O que é infraestrutura remanejável?
É a infraestrutura que permite mudar a posição dos pontos sem refazer o percurso. Na prática, são sistemas aparentes com tampa que abre, nos quais o cabo permanece no lugar e o que se move é o ponto de saída, e elementos como coluna e caixa de piso que podem trocar de posição.
Caixa de piso atrapalha a circulação?
Depende do mecanismo da tampa. Modelos que exigem abertura permanente para o cabo deixam um vão aberto no piso. A Caixa de Tomadas Zigus usa tampa tripartida, que mantém o ponto fechado e nivelado quando não está em uso e abre apenas a área ocupada pelo cabo.
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Sobre a Valemam
Fabricante brasileira de capital 100% nacional desde 1994, a Valemam desenvolve sistemas de condução e distribuição de fios e cabos de energia, voz, dados e imagem. Foi a primeira a desenvolver canaletas com tampas articuladas no Brasil e no mundo.
Para espaço que muda de arranjo, a linha reúne a canaleta articulada FROG Quadra, a coluna articulada EMA e a Caixa de Tomadas Zigus.
Traga a planta do seu espaço multifuncional e estude a solução com o time técnico da Valemam.
Revisado por Leandro Cardoso Vasconcelos

